"Angra III produzirá a energia mais cara do país"
O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) condenou nesta quarta-feira o reinício das obras da terceira usina do Complexo Nuclear Almirante Álvaro Alberto, no litoral do Rio de Janeiro. No plenário da Câmara dos Deputados, o parlamentar paulista elencou impedimentos para a retomada de Angra III. "A licitação, feita há vinte anos, é arcaica e o valor previsto pode chegar a R$ 10 bilhões de reais. Será a energia mais cara do país", alertou.
ENERGIA LIMPA
Na avaliação de Tripoli, outro problema grave é o armazenamento do lixo nuclear. "O rejeito nuclear representa um enorme risco de vida para as pessoas. Uma pequena porção de urânio enriquecido que vaze pode contaminar um raio de dez quilômetros", atentou, ao se referir que não há solução prática para o lixo radioativo. Ele argumentou que, mesmo depois de usados no reator, os rejeitos ainda liberam calor e radiação que podem corroer o metal dos cilindros de armazenamento.
O deputado ainda exigiu que o governo federal desista da energia nuclear e sugeriu que opere na linha do desenvolvimento sustentável. "O governo deveria ter bom senso. Há outras formas menos agressivas de obtenção de energia como a eólica, hídrica e solar. O país necessita de investimentos nessas áreas e políticas públicas que direcionem numa melhor qualidade de vida dos cidadãos", ressaltou.
POLÍTICA INDIGENISTA
No mesmo discurso, o parlamentar também demonstrou preocupação com a demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Para Tripoli, a luta dos índios da região para trazer suas terras de volta é legítima. "A cultura indígena é genuinamente brasileira. Eles só precisam de sossego para mantê-la às gerações futuras. Este governo não tem nenhuma boa vontade nesse sentido. Para a atual gestão, os índios tornaram-se um empecilho para o desenvolvimento nacional. Isso não procede", contestou. "As regiões habitadas por eles são os maiores berços da biodiversidade. Só nós, brasileiros, que muitas vezes não reconhecemos isso", finalizou.
Fonte: Assessoria de deputado

