Histórico

01/06/09

CNA vai denunciar Minc à Comissão de Ética do Executivo (Rádio Câmara)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, vai denunciar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, à Comissão de Ética do governo federal.

O ministro chamou na semana passada os parlamentares da bancada da agropecuária do Congresso de "vigaristas".

O órgão divulgou nota em que considera o ato de Minc inaceitável, e afirma que o ministro mostrou-se desqualificado para o cargo que ocupa.

Na Câmara, deputados que compõem a bancada ruralista defendem que Minc se explique à comissão de Agricultura.

O deputado Luis Carlos Heinze, do PP do Rio Grande do Sul, já protocolou requerimento chamando Minc à comissão.

O requerimento deve ser votado nesta semana. Na semana passada, o líder do governo Henrique Fontana disse que Carlos Minc "retirou" o que havia dito.

O deputado Valdir Colatto, do PMDB de Santa Catarina e coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária, classificou a fala do ministro como um "arroubo de insanidade", e afirmou que a agropecuária é responsável por mais de um terço dos empregos do país.

Segundo Colatto, a bancada ruralista conta com 208 deputados e 35 senadores, e todos estão indignados com as palavras de Minc.

Colatto defende a criação de um Código Ambiental. A Frente da Agropecuária deve apresentar uma proposta nesse sentido, que tem como objetivo conciliar a preservação ambiental e a produção agrícola. Um dos pontos da proposta é a descentralização das normas ambientais no país.

"Nós estamos tentando regulamentar esta bagunça. O que acontece hoje: você tem um Código Florestal que é um único para o Brasil. Amazônia e Santa Catarina, realidades totalmente diferentes. não pode dar certo. O que nós queremos, que cada estado faça através do zoneamento econômico e ecológico, o seu levantamento, o seu código ambiental, e técnica e cientificamente possa fazer o planejamento de ocupação territorial de suas áreas."

O deputado Ricardo Tripoli, do PSDB de São Paulo, afirma que a bancada ruralista, ao apresentar um projeto criando um Código Ambiental, que, segundo ele, não preserva as florestas brasileiras, dá um tiro no pé.

De acordo com Tripoli, sem preservação ambiental, a própria agricultura corre riscos.

"Pretende-se cometer um atentado contra as florestas, que eu diria que é um dos grandes berços da biodiversidade de todo o planeta. Eu acho que é um tiro no pé que os ruralistas dão, porque quem perde são eles."

Se o Congresso Nacional aprovar uma proposta de Código Ambiental, a nova lei substituirá o atual Código Florestal, que é de 1965.

Voltar ao topo