Histórico

19/07/09

O Oceano Atlântico em alerta (A Tribuna de Santos)

"Mudanças climáticas. O assunto nunca esteve tão evidente na mídia, no Congresso Nacional e nas dezenas de reuniões promovidas por universidades, organizações não-governamentais e institutos especializados. Mas do que adianta toda essa discussão para tão pouca ação? A humanidade já passou do ponto de conseguir evitar uma catástrofe climática. O problema é inegável e irreversível.

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos da Alemanha mostra que o mundo tem de emitir no máximo um trilhão de toneladas de gás carbônico nos primeiros 50 anos deste século. Isso se quiser ter uma chance razoável de evitar um aquecimento de mais de 2C na temperatura global. Mas só nos últimos nove anos foram lançados um terço disso.

O Brasil já é o quarto maior emissor de gases que aumentam a temperatura do planeta, mas o presidente Lula despreza o tema. Sua displicência insiste em repetir que as alterações no clima são causadas pelos países ricos e que eles devem encontrar uma solução. Mas o problema é muito grave para ser ignorado.

Especialistas apontam que duas regiões no Brasil sofrerão mais com as alterações no clima. No semiárido, uma das regiões mais pobres do país, aumentará ainda mais a escassez de água. E na região amazônica grande parte da floresta se transformará em savana.

Para amenizar o caos ambiental iminente é preciso desenvolver políticas consistentes de enfrentamento das mudanças do clima. O governo brasileiro ficou tímido e se omite desde que aumentaram as taxas do crescimento econômico baseado na derrubada e queima indiscriminada de florestas.

Com o advento das mudanças climáticas é também inevitável o aumento do nível do mar. Lembro que a costa brasileira possui uma área de 514 mil quilômetros quadrados voltados para o Oceano Atlântico. Segundo o Ministério do Meio Ambiente cerca de 42 milhões de brasileiros que vivem na zona costeira podem ser afetados com o avanço de até meio metro do Atlântico ainda durante este século.

Em levantamento recente se observou na costa brasileira a tendência de um aumento do nível do mar de 40 centímetros por século, mas, devido ao aquecimento global, esse avanço pode chegar até 50 centímetros.

Evidente que o estado de São Paulo também sentirá os impactos causados pelo aumento drástico das temperaturas. Na baixada santista, por exemplo, há o risco de o nível do mar subir de maneira brusca. Sobretudo porque a região Sudeste está mais suscetível a esse fenômeno. Este cenário é preocupante e deixa o litoral paulista em alerta.

Em dezembro acontece a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima em Copenhagen. Esse evento definirá as ações contra as mudanças climáticas na segunda fase do Protocolo de Quioto, a partir de 2012. Por lá estarão presentes os principais líderes mundiais. De Obama à Sarkozy. Será uma excelente oportunidade de o governo brasileiro abandonar a falácia e apresentar uma política voltada à gestão ambiental."

*Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP.

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